ODE AO RUBRO
A dor é ópio anestesiante
E nada é mais solitário que o sol de verão
Parado no centro do nada
Totalmente entediado de azul
Onde as demais cores
são borrões disformes e distantes
Que circundam os homens sem que percebam
Quisera ele tocar em algo além do azul e do amarelo.
Assim não posso eu, como o sol,
estar completo apenas a dois
Assim não posso eu existir sem o primário
e supremo vermelho centro de meu mundo
Sem seu amor em corações patéticos
Sem sua fúria em pupilas dilatadas
Sem sua paixão em leitos ardentes
Sem sua ira em campos de batalha
Jamais serei azul, pois não a paz nos meus desejos:
Essência estimulante de ter e possuir
Banhada de suor, sem cansaço e sem pausa.
Jamais serei amarelo, pois, não há luz simples e clara
Sobre os meus pensamentos,
Apenas vermelho hemático, força, paixão e vida
Mantendo-me de pé.

Nubia Diaz